30.4.15

Leituras de Abril

O Príncipe, Maquiavel

Esse é o tipo de livro que eu só leria na faculdade, e se fosse obrigatório para alguma disciplina. Mas como o namorado, que nem gosta muito de ler, disse que era bom, decidi dar uma chance. Achei que seria uma leitura chata, mas os capítulos curtinhos ajudaram. 

Um Lugar na Janela, Martha Medeiros

Eu queria um livro mais leve, para ler rapidinho. E nada melhor que Martha Medeiros. Texto bem escrito, assuntos que me agradam e uma narrativa gostosa. Preciso falar mais?

Alice, Lewis Carroll

Eu conhecia a história através dos filmes e de uma adaptação infantil que li nos tempos de escola. Alice não é uma das minhas personagens favoritas, porém, anos atrás comprei uma edição de luxo só porque achei a capa bonita (qual bookaholic nunca fez isso?). No geral, achei o livro bom, apesar das poesias – completamente – sem sentido e que me davam preguiça de ler.

Por que canja de galinha cura resfriado, Anahad O'Connor

Anos atrás eu vi a Ana Maria Braga recomendar esse livro num quadro chamado “Cafofo da leitura”. Além de a capa ser bonitinha e muito fofa, o livro traz curiosidades de estudos científicos (alguns bem malucos) sobre saúde, tecnologia, natureza, comidas afrodisíacas e desmistifica várias crenças populares. Uma opção boa para ler num feriado preguiçoso ou enquanto espera o ônibus. E sim, canja de galinha ajuda a curar resfriados.




18.4.15

Modo de economia

Cada mês a conta de energia é um susto. As explicações não faltam, é claro: reajuste por causa disso, imposto por causa da bandeira, revisão extraordinária das tarifas. E não importa se o consumo diminuiu alguns quilowatts ou se só aumentou uns dois números em relação ao mês anterior. A conta segue em progressão geométrica.

O que me sobra é ligar o computador em dias alternados, deixar a televisão cada vez mais desligada, passar mais horas estudando. Fazer palavras-cruzadas, pintar livros de colorir, praticar os tutoriais do Pinterest. Ler mais livros e revistas. Aproveitar até a última réstia de sol.

Talvez essa crise sirva para nos deixar mais criativos e produtivos.

8.4.15

De olhos bem abertos

Há duas semanas eu fiz uma cirurgia para me livrar da miopia e do astigmatismo. Depois de quase vinte anos usando óculos, decidi que estava na hora de aposentá-los. E, ao contrário do que andei lendo internet afora, a operação não foi esse horror todo.

Após as consultas, os exames e a liberação do médico, precisei remarcar minha cirurgia duas vezes: na primeira, porque achei a data muito em cima e eu não teria tempo para me organizar; na segunda, porque fiquei doente. Passados todos os empecilhos, quando finalmente chegou o dia, só me restou sofrer com a ansiedade e contar as horas que faltavam. 

Tive vontade de desistir. Foi me dando um nervoso porque a todo instante eu via assistentes passando para lá e para cá, pacientes chegando, médicos caminhando pelo corredor que dava acesso ao centro cirúrgico, pessoas do administrativo fazendo a parte burocrática... Felizmente me deram um sedativo para relaxar, e até que o negócio fez efeito.

Cerca de meia-hora depois me chamaram. Fui para uma sala onde uma assistente me ajudou a vestir um avental, colocar uma touca na cabeça e uma sapatilha nos pés. Arrumada e já sem os óculos, fui encaminhada para outra sala e fiquei sozinha esperando. Foi angustiante: era apenas eu, sem enxergar direito, e uma televisão passando novela. Mas aí entraram dois outros pacientes e me fizeram companhia.

Em seguida, fui levada para uma sala onde higienizaram o meu rosto e iniciaram as doses do colírio anestésico. Cochilei um pouco (efeito do sedativo, oba!), conversei com um rapaz que chegou depois e esperei a assistente me buscar. Ela me guiou até o local da cirurgia e me ajudou a deitar na cama. Não lembro quantas pessoas havia na sala nem os detalhes do lugar. Eu estava tão nervosa que só perguntava se minha cabeça estava encaixada no lugar certo – ficar deitada embaixo do laser assusta um pouco.

O tempo todo o médico conversou comigo e foi avisando o que ia fazer ou estava fazendo. Ele cobriu o meu rosto com um pano e deixou uma abertura para o olho. Logo depois, encaixou um ferrinho para deixar a pálpebra bem aberta e vi alguma coisa parecida com um anel se aproximar do meu olho. Como minha cirurgia foi pelo método Lasik, esse era o momento que eu mais temia: cortar e levantar uma tampinha na minha córnea, o famoso “flap”. 

Não é uma dor insuportável nem nada assim, mas a pressão do aparelho cortando a córnea é incômoda. Tive a sensação de que o olho iria explodir (talvez porque na infância eu achava que o olho era uma bolinha cheia de líquido) ou amassar... sei lá! Por sorte o procedimento é bem rápido. Logo depois, o médico pinga soro gelado – momento delicioso – e então avisa que vai ligar o laser. Fui obediente e forcei meu cérebro a olhar apenas para a luz verde (eu já tinha lido que a luz vermelha causa irritação).

Algumas pessoas dizem que antes disso ficam ser enxergar nada. Eu vi as luzes borradas, como se fossem um caleidoscópio, mas não teve nada de escuridão. O laser foi bem rápido, dá para sentir um leve cheirinho de queimado e então mais soro gelado. O médico ajeita o flap, manda piscar suavemente e parte para o outro olho. 

A cirurgia toda deve ter durado uns oito minutos. Em casa, lacrimejei muito, meus olhos ficaram pesados e parecia que eu estava usando uma lente de contato suja. Senti só um pouquinho de dor no olho esquerdo. Apesar disso, adormeci bem rápido, acordei sem dor e graças a Deus continuei assim.

Usei os colírios que o médico passou, já fui a duas revisões e a cada dia sinto minha visão melhorar. Claridade ainda me incomoda, falta um pouco de nitidez durante a noite e a secura nos olhos contribui para que minha vista fique logo cansada. Sei que sempre terei o risco de descolar a retina caso eu leve alguma pancada nos olhos, porém, relembrando a resposta que dei ao médico, estou muito satisfeita. Foi um baita presente na minha vida.