8.4.15

De olhos bem abertos

Há duas semanas eu fiz uma cirurgia para me livrar da miopia e do astigmatismo. Depois de quase vinte anos usando óculos, decidi que estava na hora de aposentá-los. E, ao contrário do que andei lendo internet afora, a operação não foi esse horror todo.

Após as consultas, os exames e a liberação do médico, precisei remarcar minha cirurgia duas vezes: na primeira, porque achei a data muito em cima e eu não teria tempo para me organizar; na segunda, porque fiquei doente. Passados todos os empecilhos, quando finalmente chegou o dia, só me restou sofrer com a ansiedade e contar as horas que faltavam. 

Tive vontade de desistir. Foi me dando um nervoso porque a todo instante eu via assistentes passando para lá e para cá, pacientes chegando, médicos caminhando pelo corredor que dava acesso ao centro cirúrgico, pessoas do administrativo fazendo a parte burocrática... Felizmente me deram um sedativo para relaxar, e até que o negócio fez efeito.

Cerca de meia-hora depois me chamaram. Fui para uma sala onde uma assistente me ajudou a vestir um avental, colocar uma touca na cabeça e uma sapatilha nos pés. Arrumada e já sem os óculos, fui encaminhada para outra sala e fiquei sozinha esperando. Foi angustiante: era apenas eu, sem enxergar direito, e uma televisão passando novela. Mas aí entraram dois outros pacientes e me fizeram companhia.

Em seguida, fui levada para uma sala onde higienizaram o meu rosto e iniciaram as doses do colírio anestésico. Cochilei um pouco (efeito do sedativo, oba!), conversei com um rapaz que chegou depois e esperei a assistente me buscar. Ela me guiou até o local da cirurgia e me ajudou a deitar na cama. Não lembro quantas pessoas havia na sala nem os detalhes do lugar. Eu estava tão nervosa que só perguntava se minha cabeça estava encaixada no lugar certo – ficar deitada embaixo do laser assusta um pouco.

O tempo todo o médico conversou comigo e foi avisando o que ia fazer ou estava fazendo. Ele cobriu o meu rosto com um pano e deixou uma abertura para o olho. Logo depois, encaixou um ferrinho para deixar a pálpebra bem aberta e vi alguma coisa parecida com um anel se aproximar do meu olho. Como minha cirurgia foi pelo método Lasik, esse era o momento que eu mais temia: cortar e levantar uma tampinha na minha córnea, o famoso “flap”. 

Não é uma dor insuportável nem nada assim, mas a pressão do aparelho cortando a córnea é incômoda. Tive a sensação de que o olho iria explodir (talvez porque na infância eu achava que o olho era uma bolinha cheia de líquido) ou amassar... sei lá! Por sorte o procedimento é bem rápido. Logo depois, o médico pinga soro gelado – momento delicioso – e então avisa que vai ligar o laser. Fui obediente e forcei meu cérebro a olhar apenas para a luz verde (eu já tinha lido que a luz vermelha causa irritação).

Algumas pessoas dizem que antes disso ficam ser enxergar nada. Eu vi as luzes borradas, como se fossem um caleidoscópio, mas não teve nada de escuridão. O laser foi bem rápido, dá para sentir um leve cheirinho de queimado e então mais soro gelado. O médico ajeita o flap, manda piscar suavemente e parte para o outro olho. 

A cirurgia toda deve ter durado uns oito minutos. Em casa, lacrimejei muito, meus olhos ficaram pesados e parecia que eu estava usando uma lente de contato suja. Senti só um pouquinho de dor no olho esquerdo. Apesar disso, adormeci bem rápido, acordei sem dor e graças a Deus continuei assim.

Usei os colírios que o médico passou, já fui a duas revisões e a cada dia sinto minha visão melhorar. Claridade ainda me incomoda, falta um pouco de nitidez durante a noite e a secura nos olhos contribui para que minha vista fique logo cansada. Sei que sempre terei o risco de descolar a retina caso eu leve alguma pancada nos olhos, porém, relembrando a resposta que dei ao médico, estou muito satisfeita. Foi um baita presente na minha vida.

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