10.6.15

Desapego voluntário

Desde que começaram os burburinhos sobre o livro mágico da Marie Kondo, fiquei curiosa e com vontade de ler também. Coisas que envolvam organização, minimalismo e dicas para limpar a casa (meus olhos brilham na seção de produtos de limpeza no supermercado) me interessam. 

Não tenho problemas para me desfazer de roupas, acessórios ou utensílios de casa. Até brinco com a minha mãe dizendo que ela não consegue se livrar das tralhas porque nunca precisou se mudar (tenho uma tia que já mudou de casa seis vezes). Porém, de tudo o que aprendi sobre organização, a parte mais difícil foram os livros. Eu sou uma leitora consumista. Para mim, não basta ler muitos livros, tenho que comprar muitos também. 

Com o passar do tempo, claro, minha estante começou a ficar pequena. A solução era separar alguns exemplares para guardar em caixas ou comprar uma estante maior. Foi quando percebi que eu jamais voltaria a ler os romances do ensino fundamental, os livros que estavam amarelados e, muito menos, os livros que eu não tinha gostado. 

Separei tudo, coloquei numa sacola e espalhei numa praça da cidade – como naquelas campanhas de bookcrossing. Confesso que vindo de mim foi uma atitude bem radical, mas eu não queria que os meus livros mofassem num sebo. Eles haviam sido importantes para mim, me levaram conhecimento e diversão. 

Além disso, me lembrei de quando eu era uma garotinha que aproveitava o recreio ou os dias de trabalho em grupo para pegar livros na biblioteca da escola. (Tinha que procurar num catálogo preto bem grosso, ainda escrito à mão, e depois pedir para a mulher que cuidava do lugar). Nessa época os livros não eram tão acessíveis, não existiam lojas virtuais com promoções malucas e até mesmo ter um computador em casa – quanto mais internet – era algo incomum.

Ainda não é uma tarefa fácil, mas penso em quantas garotinhas e garotinhos eu poderia ajudar doando os meus livros. Quantas crianças sem condições poderiam encontrá-los e aprender um pouco mais. Quantas pessoas poderiam se desligar um pouco da realidade e se divertir com uma boa leitura. Ou quantas pessoas se sentindo sozinhas, como várias vezes me senti, poderiam descobrir nos livros uma companhia.

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