14.11.15

Velhice precoce

Entrar em livrarias é algo que tenho evitado, assim como lojas de cosméticos, para não sofrer tanto com a minha falta de dinheiro. É verdade que continuo recebendo todo santo dia e-mails com promoções, mas o grau de tentação é bem menor quando não posso testar nenhum produto nem sentir aquele cheirinho maravilhoso de livro novo. E, por falar em livros, percebi que sou uma velha desatualizada ou o mercado tem investido em qualquer tipo de sucesso.

Eu estava acostumada com a enxurrada de livros eróticos, com as séries e com os livros de colorir. Mas, quando achei que o mercado estava sem graça o bastante, descobri que minha ignorância era maior ainda. Eu não sabia quem era Isabela Freitas, Rafael Moreira, Christian Figueiredo e Kéfera Buchmann, apesar de todos venderem muito bem e receberem ótimas avaliações dos consumidores.

Engraçado que só percebi isso porque vi tantas vezes a capa de “Muito mais que 5inco minutos” sem entender o que era (na verdade achei que era um livro de maquiagem para mulheres sem tempo), que decidi pesquisar. Então descobri que Kéfera é uma celebridade do Youtube, assim como os outros, e que lançar livros de youtubers é uma tendência editorial.

Talvez seja apenas uma cisma minha, mas acho que hoje em dia tudo se tornou fácil demais. Sempre vi o processo de escrever e publicar um livro como algo que demanda tempo e um bocado de investimento. Afinal, ter uma ideia, escrever, conseguir uma editora, publicar e lançar nas livrarias, não se faz da noite para o dia. 

Veja bem, não estou dizendo que blogueiros, youtubers, twitteiros e afins sejam péssimos escritores ou que o público seja ruim. Existem livros muito bons que nasceram de escritos para a internet (vide Juliana Cunha e Fabrício Carpinejar). A questão é a velocidade com que as coisas são feitas. Parece que publicar um livro é como vender uma mercadoria qualquer. 

Sei lá. Tenho uma visão romântica com escritores. Os imagino como pessoas que vivem cercadas de livros, com uma vida exótica e uma áurea intelectual ao redor deles. Pessoas que andam com um caderninho para anotar inspirações, que se isolam na frente do computador e passam horas escrevendo, que são viciadas em café e que estão sempre refletindo e vendo o mundo com olhos de artista.

Acho que o problema está mesmo em mim. Mas tiro uma lição disso: transito numa geração esquisita, nossa sociedade consome qualquer coisa comprável e eu estou mais perto dos oitenta do que nunca.

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