31.12.16

Um adeus e um olá

Eu estava fisicamente presente, mas durante o último ano novo minha cabeça estava bem longe. Havia muitas coisas me incomodando e outras tantas me deixando insatisfeita. Não sei precisar, mas em algum instante daquela noite, decidi que 2016 seria um ano de mudanças. Nada radical, como mudar de cidade ou virar hippie, mas mudanças pequenas que poderiam melhorar – e muito – a minha vida.

O engraçado é que muitas delas foram acontecendo naturalmente, sem que eu precisasse planejar. Algumas vieram com um empurrãozinho da minha mãe. Já outras, me exigiram uma dose grande de esforço. Mas enfim! O importante é que agora, enquanto escrevo este texto, percebo que fiz muito mais do que havia esperado. Ou achava que conseguiria.

Pois bem, em 2016:

Saí de um relacionamento que não estava mais funcionando. Mudei de blog. Superei as dores da Chikungunya. Plantei mudas de suculentas. Troquei meus xampus comuns pela técnica low poo. Encontrei uma neurologista gente boa e comecei de novo um tratamento contra a ansiedade/síndrome do pânico. Caminhei bastante pelo centro da cidade. Fiz muitos doces. Fiz bolos. Fui paga para organizar uma festa. Fiz sessões de terapia. Tive algumas melhoras no meu sono. Minhas crises de rinite diminuíram. Fotografei bastante. Destralhei meu quarto. Abandonei várias séries. Dediquei tempo aos estudos. Comprei pouquíssimos livros. Cortei as besteiras que eu comia. Estabilizei meu peso. Cuidei mais da minha saúde. Comi alimentos orgânicos. Conheci pessoas novas. Cuidei do meu cabelo. Doei livros e roupas. Passei mais tempo com as minhas primas. Recebi a visita de um tio que eu nem conhecia. Me diverti e ri bastante com o meu sobrinho. Guardei dinheiro. Assisti alguns filmes. Disse alguns “nãos”. Me senti grata mais vezes.

Sei que 2016 não foi um ano fácil. Muitas tragédias, conflitos, notícias tristes, estrelas que se apagaram, acidentes, escândalos políticos, governos em crise e uma violência absurda no mundo. Na minha família houve desemprego, problemas de saúde, dificuldades financeiras e salários parcelados. Talvez 2016 tenha ficado marcado como um ano para se esquecer, porém, agradeço por mais um ciclo que termina, pelos ensinamentos, pelas oportunidades, bençãos e conquistas. Resta agora o desejo de que 2017 venha como um ano de paz, empregos, prosperidade e dias melhores.



1.12.16

Aleatoriedades

Estou com vontade de escrever, mas toda vez que tento me sinto bloqueada. Fica apenas uma tela em branco me encarando. Às vezes tenho mais sorte e ficam uns parágrafos soltos. Em raríssimos casos, consigo fazer um texto com toda a dificuldade do mundo e depois penso “não, isso é idiota demais”.

Sei lá, sabe? 

Tentei escrever sobre minha experiência com o livro da Marie Kondo. Passei dias faxinando, desbravando meu guarda-roupa, segurando objetos, me perguntando se eles traziam felicidade. 

Depois veio essa onda Gilmore Girls, com as pessoas idolatrando a série e tudo mais. Apesar de ser  a "continuação" de uma das minhas séries favoritas, o pouco que vi desse revival não me agradou. É igual àquele prato que a gente adorava na infância: na nossa memória o gosto é maravilhoso, porém, se a gente for comer de novo percebe que não é tão bom assim.

Aí aconteceu a tragédia do avião. Toca a pensar na vida. Na nossa fragilidade. No quanto a gente vive de passado ou de futuro, sem aproveitar direito o presente.

Enfim.

Talvez meu bloqueio seja pelo fato de que essas últimas semanas não estão ajudando. Tenho tido dias cansativos, noites mal dormidas, finais de semana com compromissos marcados, muitas saídas imprevistas, muito tempo gasto apenas com o meu sobrinho no colo. Um bebezinho gostoso, mas muito preguiçosinho que não quer saber de engatinhar, andar ou simplesmente sentar no chão e brincar com os ursinhos.

E não, eu não gostei desse final ridículo da Rory. Se a desculpa é a tal ideia do ciclo, então Lorelai será a próxima Emily. Certo?

2.11.16

Sobre amores superficiais e esperas

Faz um tempo que não me envolvo com alguém. E faz anos que não me envolvo de verdade com alguém. Quando falo de verdade, me refiro àquela sensação gostosa de trocar olhares e sorrisos com alguém, começar a conhecer e construir o relacionamento aos pouquinhos.

Tenho pensado nisso ultimamente. Não que eu esteja com vontade de me envolver com alguém, mas tenho pensado no quanto as coisas se tornaram simplórias e mecânicas demais. É só baixar um aplicativo, fazer um perfil e sair olhando as opções, como se estivesse folheando um catálogo de cosmético. Depois é só marcar um encontro, começar a se agarrar, talvez ir para a cama e ver se alguma coisa vai dar certo.

Definitivamente eu não quero isso. Essa facilidade para conhecer pessoas até podia me interessar antes, quando a maioria dos meus relacionamentos nasciam da internet, mas hoje em dia, não mais. Tampouco quero a obrigação de me agarrar ou transar no primeiro encontro. 

Pode ser que eu esteja me iludindo, mas prefiro continuar sozinha e esperar. Esperar por um encontro especial. Esperar pelo par de olhos que vai atrair os meus. Esperar pelas borboletas no estômago. Esperar pelas conversas e pelos sorrisos de alegria cada vez que descobrirmos que gostamos das mesmas coisas. Esperar pelo alguém imperfeito, porém perfeito para as minhas necessidades. Esperar por esse pequeno milagre nestes dias tão superficiais.


19.10.16

É uma promessa

Houve um tempo em que eu era mais interessada em escrever e manter um blog atualizado. Naquela época eu era só uma menina mais boba, porque boba eu sempre serei, apenas numa escala menor com o passar dos anos, disposta a transformar em textos todos os meus draminhas amorosos e revoltas com a vida.

Acontece que o tempo passou, as circunstâncias mudaram e minha vida atual se resume em duas coisas: concursos públicos e meu sobrinho. Boa parte da minha cabeça é ocupada com artigos, incisos, modalidades de licitação, direitos fundamentais, regime jurídico, gramática, segurança da informação, orçamento público, gestão de pessoas, tabelas verdade e por aí vai. A outra parte é ocupada com risadinhas gostosas, mamadeiras, braços doendo, cheirinho de bebê e um cansaço absurdo – minha gente, bebês são lindos, mas trabalhosos demais! 

Ou seja: não me sobra muito tempo para sentar e escrever, para me dedicar ao blog, para mantê-lo atualizado como eu gostaria. Mas olha, não estou dizendo isso como desculpa para abandonar meu canto, tá? Nem para me enveredar pelas cartinhas da moda. Só estou dizendo que, por mais que eu demore para escrever, por mais que os estudos e os momentos com o pedacinho de gente tomem parte da minha rotina, e por isso mesmo a torne menos interessante para render histórias, vou me esforçar para ser mais presente.

19.9.16

Guarde os elogios na gaveta

Certa vez eu encontrei um texto onde a autora dizia no título que era contra os homens ajudarem em casa. Fiquei desconcertada. Como assim?! Pensei que aquela mulher que escrevia era uma maluca. Se a maioria dos homens nem faz nada em casa, por que dispensar a ajuda? Somente depois de ler o texto inteiro é que percebi que ela estava mais do que certa.

Não existe ajuda em algo que é obrigação fazer. A partir do momento em que um homem e uma mulher se casam ou decidem morar juntos, a casa se torna responsabilidade dos dois. Em nenhum lugar está escrito que lavar, passar, limpar e cozinhar são deveres exclusivos das mulheres. Se duas pessoas dividem o mesmo teto, as tarefas também são divididas.

Seu marido ajuda a lavar os pratos depois do jantar? Seu companheiro troca a fralda do bebê quando você pede? Seu namorado ajudou você na faxina? Não saia por aí dizendo que ele é um homem bonzinho só porque lhe ajuda. Não o elogie pelo simples fato de ele pegar numa vassoura ou numa esponja de prato porque você pediu para ajudar. É obrigação dele dividir as tarefas domésticas com você. É obrigação dele contribuir na manutenção da casa e ser participativo na criação dos filhos.

O fato de varrer uma casa, limpar um banheiro, lavar louça, tirar o lixo ou preparar uma mamadeira não o torna menos macho. Apenas o torna um homem que nos dá orgulho de dizer “esse é o homem que eu sempre quis”.

Em toda a minha vida, eu nunca ouvi um elogio de um homem porque lavei prato, limpei banheiro, passei roupa ou fiz qualquer outra tarefa doméstica. Você também não? Então guarde seus elogios para as ocasiões certas.

Elogie porque ele é responsável, porque ele consegue estacionar o carro até nas vagas mais apertadas, porque ele é um homem romântico e atencioso, porque ele trata bem os pais, porque o sexo foi mágico. Elogie o resultado dos esforços dele: elogie as panelas brilhando, elogie o trabalho que ele fez no quintal, elogie o quanto ele sabe deixar a casa limpa, elogie a paciência dele com as crianças, elogie a organização dele na cozinha. 

Minha mãe sempre dizia que meu irmão limpava a cozinha melhor que ela. Tanto que hoje ele está casado, divide as tarefas e continua limpando muito bem a cozinha lá na casa dele. Portanto, elogie sempre que possível, só não aceite ser a empregada doméstica do seu homem. Ainda mais sem carteira assinada, sem salário, sem férias.

4.9.16

Livros, coisas que fazemos e gratidão

Quando eu recebi minha primeira solicitação de troca de livros, me esforcei para enviar rapidamente o que a pessoa tinha pedido. Também fiz questão de escrever um recado para avisar que havia postado e informei o código de rastreio. Enquanto isso, dias se passaram, a pessoa continuou atualizando o perfil dela, não avisou que já tinha recebido a encomenda e tampouco me deu satisfações sobre o livro que iria me enviar em troca. 

Um mês se passou desde que a pessoa entrou em contato dizendo que precisava muito do livro que eu tinha disponível e até hoje não recebi código, nem desculpas esfarrapadas, nem nada. Gastei dinheiro para enviar o livro, perdi tempo de estudo indo na agência e a pessoa não deixa uma mísera mensagem. Nem de agradecimento.

Desta vez foi só uma troca de livros. Mas quantas vezes fazemos coisas pelo outro e não recebemos nada em troca? Quantas vezes fazemos trabalho extra para o chefe, perdemos noite fazendo sozinhos o trabalho de faculdade que deveria ser em dupla, vamos a lugares que não gostamos só para agradar, limpamos a bagunça que não fizemos, desistimos de algo para satisfazer ao outro, doamos nosso tempo, resolvemos problemas, fazemos sacrifícios e não recebemos nenhuma palavra de agradecimento?

É por isso que tenho me policiado a dizer “obrigada” mais vezes. Mesmo por gestos simples, como de manhã, quando minha mãe vai na padaria no meu lugar e traz o pão que eu gosto. Ou quando meu avô vai no supermercado e traz uma barra de chocolate para mim. 

Talvez a pessoa para quem enviei o livro seja um pouco distraída, ou não tenha o costume de agradecer ou esteja com a cabeça tão cheia de problemas que acabou esquecendo. Mas se há algo que essa vida tem me ensinado, é que devemos aprender a ser mais gratos. Não importa se é por algo bobo como um lugar vazio no ônibus, por algo gentil como um elogio, por algo gostoso como uma xícara de café fresquinho, por algo tão bom quanto ganhar de presente aquilo que desejamos ou por algo tão incrível como acordar respirando todos os dias.

18.8.16

Você para mim foi o sol

Depois de terminar um livro muito bom, estou me sentindo órfã. 

Depois de Cem Anos de Solidão, meu segundo livro preferido no mundo se tornou O Sol é Para Todos

Depois que fui dormir tarde lendo os últimos capítulos, e olha que tentei arrastar a velocidade da leitura para segurar mais um pouquinho, acordei com a tarefa ingrata de escolher um novo livro. 

Daí que em todos os instantes de folga que tive no dia para pensar nisso, não consegui me decidir. 

Daí que daqui a pouco eu quero ir para a cama, e até agora, não consigo escolher um raio de livro para me acompanhar porque tenho certeza de que o próximo não será tão bom. 

Por um lado fico feliz por ter sido surpreendida com um livro tão mágico; por outro, fico com aquela tristezinha que bate no último dia de uma viagem incrível.

Mas que merda! Ainda não consegui decidir.

7.8.16

TAG: 100 perguntas que ninguém pergunta

Porque eu vi no blog da Nicole e achei legal.

1: Você dorme com as portas do seu armário abertas ou fechadas? Eu durmo com as portas fechadas.

2: Você leva embora os shampoos e condicionadores dos hotéis? Claro que sim. Em alguns hotéis as diárias são caras, mas não correspondem com a qualidade do lugar. Tenho mais é que usar e levar tudo o que eu tiver direito.

3: Você dorme com seu edredom dobrado pra dentro ou pra fora? Meus edredons só servem para arrumar a cama. Como moro no nordeste, dificilmente faz frio.

4: Você já roubou uma placa de rua? Eu não, isso é vandalismo. 

5: Você gosta de usar post-it? Eu uso quando lembro. Prefiro fazer anotação em qualquer pedaço de papel mesmo.

6: Você corta cupons, mas depois nunca usa? Cortar cupons, não. Às vezes eu solicito uns no clube de assinante e depois acabo nem usando.

7: Você prefere ser atacado por um urso ou um enxame de abelhas? Um enxame de abelhas. Vai doer horrores, mas a probabilidade de sobreviver é bem maior do que ser atacada por um urso.

8: Você tem sardas? Não.

9: Você sempre sorri para fotos? Geralmente sim. 

10: Qual é a sua maior neura? Me preocupar demais. 

11: Você já contou seus passos enquanto você andava? Sim.

12: Você já fez xixi na floresta? Nem de ficar no meio do mato eu gosto! Mas talvez eu tenha ido em algum passeio de família, quando eu era pequena, e tenha feito xixi atrás da moita.

13: E quanto a fazer cocô na floresta? Se por acaso eu fiz, devia ser bem criança. Não lembro.

14: Você dança, mesmo se não tiver música? Nem com música nem sem música. Eu tenho uma fantasia boba de um dia dançar sob as estrelas com alguém especial, mas enquanto isso não se torna realidade, vou levando minha vida sem passinhos de dança.

15: Você mastiga suas canetas e lápis? Eu dou umas mordidas. As canetas são minhas, ficam guardadas num estojo rosa de corujinhas e só quem usa sou eu.

16: Com quantas pessoas você já dormiu essa semana? Estou dividindo a cama com as histórias de Scout e Jem Finch.

17: Qual é o tamanho da sua cama? Uma cama de casal padrão. Mas olha, se um dia eu me casar de novo, quero uma king size. Não tenho essas frescuras de dormir de conchinha; na verdade, eu detesto ter alguém me prendendo a noite toda enquanto tudo o que eu quero é me espalhar e virar para o lado que quiser.

18: Qual é a música da semana? Shut Us Down – Freddie Dickson. Fiquei com essa música na cabeça depois que tocou no último episódio de Beauty and the Beast. 

19: O que você acha de homens que usam rosa? Sem problemas.

20: Você ainda assiste desenhos animados? Sim, Os Simpsons

21: Qual é o filme que você menos gosta? Esses filmes de ação que a pessoa leva uns duzentos tiros e nenhum acerta.

22: Onde você enterraria um tesouro escondido, se você tivesse algum? Se eu contasse onde eu enterraria, deixaria de ser um segredo.

23: O que você bebe com o jantar? Eu prefiro não beber líquidos com as refeições.

24: No que você mergulha um nugget de frango? Eu não como frango.

25: Qual é a sua comida favorita? Batata frita.

26: Quais filmes você poderia assistir várias vezes e continuar amando? A maioria dos filmes que passavam no Cinema em Casa e na Sessão da Tarde.

27: Última pessoa que você beijou/beijou você? Beijei meu sobrinho. Aquela coisinha fofa <3

28: Alguma vez você já foi escoteiro(a)? Não.

29: Você posaria nua em uma revista? Eu acho os ensaios da Trip bonitos, mas não tenho coragem para isso não.

30: Quando foi a última vez que você escreveu uma carta para alguém no papel? Na universidade eu escrevi uma carta toda apaixonada para um cara da minha turma. Só que eu fiquei com vergonha de entregar e rasguei. Moral da história: passei os quatro anos da graduação apaixonada por ele, todo mundo sabia, só que eu nunca me declarei.

31: Você pode trocar o óleo de um carro? Se me ensinaram eu troco.

32: Já obteve uma multa? Não. Nem de biblioteca.

33: Alguma vez ficou sem gasolina? Não.

34: Tipo favorito de sanduíche? O vegetariano do Subway.

35: A melhor coisa para comer no café da manhã? O pão na chapa da padaria. Tem tanto queijo e tanta manteiga… pena que é uma desgraça para o meu colesterol.

36: Qual é a sua hora de dormir? Por volta das 21h30. Gosto de dormir cedo e acordar cedo.

37: Você é preguiçoso? Depois do almoço eu me sinto bem preguiçosa.

38: Quando você era criança, o que você vestia para o Dia das Bruxas? Nada. Não existia isso na escola.

39: Qual é o seu signo astrológico chinês? Coelho.

40: Quantos idiomas você fala? Português (inclusive escrevo fluentemente, porque depois das internets da vida é cada aberração ortográfica que vejo por aí) e mais ou menos Inglês.

41: Você tem alguma assinatura de revista? Sim, da Piauí.

42: Quais são melhores, Lego ou Logs Lincoln? Eu só conheci o Lego e as imitações da China.

43: Você é teimoso(a)? Sim.

44: Quem é melhor… Faustão ou Silvio Santos? Nenhum dos dois.

45: Já assistiu alguma novela? Sim, amava os dramas mexicanos da Thalia. 

46: Você tem medo de altura? MUITO.

47: Você canta no carro? Não. Só canto quando estou sozinha limpando a casa.

48: Você canta no chuveiro? Também não.

49: Você dança no carro? Não.

50: Alguma vez usou uma arma? Não.

51: A última vez que você teve um retrato tirado por um fotógrafo? Esse foi um tipo de gente que conheci bastante, mas faz muito tempo que não sou fotografada por um.

52: Você acha que os musicais são legais? Não. Me falta paciência.

53: Natal é estressante? Demais. As pessoas ficam alvoroçadas, tudo vira uma correria e as filas triplicam de tamanho.

54: Nunca comeu um Pierogi? Tive que pesquisar para saber o que é isso. Pelas fotos que vi no Google parece que é gostoso. 

55: Tipo favorito de torta? Qualquer uma que seja meio azedinha ou que não seja muito doce.

56: O que você queria ser quando era criança? Servidora pública.

57: Você acredita em fantasmas? Não.

58: Já teve um sentimento de déjà vu? Às vezes.

59: Toma uma vitamina diária? Tomo vitamina D.

60: Usa chinelos? Todos os dias.

61: Usa um roupão de banho? Não.

62: O que você usa para a cama? Uma roupa confortável.

63: Primeiro show? CPM 22. Ainda existe?

64: Wal-Mart, Target ou Kmart? Só conheço o Wal-Mart.

65: Nike ou Adidas? All Star.

66: Cheetos ou Fritos? Pipoca. É uma fonte de fibras, sabia?

67: Os amendoins ou sementes de girassol? Amendoim.

68: Já ouviu falar do grupo de Très Bien? Não. Tive que pesquisar também.

69: Já teve aulas de dança? Não.

70: Existe uma profissão que você imagine fazer no seu futuro? A confeitaria é uma área que me encanta, mas o que eu quero mesmo é ser servidora pública.

71: Você consegue enrolar sua língua? Consigo.

72: Já ganhou um concurso de soletração? Nunca participei de um concurso desses.

73: Você já chorou porque você estava feliz? Para eu me sentir tão feliz a ponto de chorar, faz muito tempo. Mas esse ano eu dei uma choradinha de emoção quando o meu irmão virou pai.

74: Possui algum disco de vinil? Dei todos os que eu tinha.

75: E uma vitrola? Não.

76: Você utiliza incenso regularmente? Tenho alergia.

77: Já se apaixonou? Algumas vezes.

78: Quem você gostaria de ver em um show? Susie Suh.

79: Qual foi o último show que você viu? Nem sei se posso dizer que era um show. Eu estava num lugar barulhento, com uma banda barulhenta tocando forró, eu dependia de outras pessoas para ir embora, então tive que esperar. Mas show para curtir mesmo, o último foi um do Maga Bo.

80: Chá quente ou chá frio? De morno a frio.

81: Chá ou café? Os dois. Principalmente café.

82: Açúcar ou adoçante? Açúcar.

83: Você sabe nadar bem? Não. É por isso que acabo perdendo a chance de fazer alguns concursos.

84: Você consegue prender a respiração sem segurar seu nariz? Sim.

85: Você é paciente? Digamos que sim.

86: DJ ou banda, em um casamento? Para ser sincera, prefiro quando toca qualquer coisa num volume baixo. Acho tão chato quando vou numa festa e as pessoas têm que conversar aos gritos, pois não dá para ouvir nada com o barulho.

87: Já ganhou um concurso? Não. Já participei de um concurso de fotografia, cheguei a ser selecionada para uma exposição coletiva, mas não ganhei nada.

88: Já fez alguma cirurgia plástica? Não. A não ser que cirurgia de miopia conte como plástica.

89: Quais são as melhores azeitonas, pretas ou verdes? As pretas.

90: Você faz tricô ou crochê? Nenhum dos dois. Trabalho manual não é meu forte.

91: O melhor lugar para uma lareira? Com certeza não é na minha casa.

92: Você já viajou para fora do seu país? Ainda não tive a oportunidade.

93: Que lugares pretende conhecer? Todos aqueles que a vida me permitir.

94: Qual era a sua matéria preferida no Ensino Médio? Literatura.

95: Você esperneia até conseguir as coisas do seu jeito? Isso é coisa de criança mimada e malcriada. Eu posso até ficar chateada porque não consegui, mas espernear, não.

96: Você tem filhos? Não.

97: Você quer ter filhos? Esse é um assunto que já me irritou tanto que algumas vezes tive que me segurar para não dar uma resposta grosseira. Por isso, sendo mais ou menos educada: se um dia eu encontrar a pessoa certa para isso, então sim, eu vou querer ter um filho. Até lá, me deixem em paz.

98: Qual é sua cor favorita? Roxo.

99: Você sente falta de alguma coisa da sua infância? De não ter preocupações.

100: (Bônus) O que você pediria se soubesse que a resposta seria sim? Dinheiro.

3.8.16

Uma despedida e o fim de um ciclo

Lá pelos idos de 2008, por sugestão de um namorado, eu criei um blog para publicar meus contos e besteiras. Nessa mesma época a Ana Vitória, a Analu e um grupo de meninas também criaram os blogs delas. Eu era um pouquinho mais velha e já estava cursando jornalismo, mas acompanhei o esforço de cada uma para passar no vestibular, conheci estantes de livros, li sobre as aventuras universitárias, sobre as viagens da máfia, sobre feminismo, senti na pele as dificuldades de cada uma com o trabalho de conclusão de curso, li textos felizes sobre a formatura e percebi o início da crise da vida adulta.

Ah, essa crise...

Segunda-feira a Anna Vitória publicou um texto de despedida, depois de oito anos de postagens. Se eu tivesse continuado, meu blog antigo teria a mesma idade. Foi um blog que me acompanhou no tempo de universidade, nos meus esforços com o TCC, na minha formatura, no meu primeiro emprego na área, nas minhas descobertas e frustrações, nos meus amores e pés na bunda. Até que cansou. Eu já não me sentia mais representada por aquele blog.

Encerrei aquele ciclo e fui me aventurar em outros cantos. Mas coisas aconteceram, a vida desabou sob meus pés, decidi me isolar do mundo. Fiquei dois anos longe da blogosfera – na verdade, quase da internet inteira. Não escrevia nada nem lia o que os outros escreviam. Porém, quando me senti pronta de novo, porque quem escreve sabe que a escrita é quase uma necessidade fisiológica, voltei.

Agora tenho um blog para me acompanhar nessa fase de estudos e ansiedade. Por enquanto estou bem, escrever ainda é divertido, não tenho obrigações com a periodicidade dos textos e não me sinto pressionada a escrever coisas que agradem aos leitores. Espero que a Anna Vitória, a Analu e todas as outras meninas que decidiram encerrar seus ciclos de postagens, também voltem um dia.

29.7.16

Diarinho

* Fiquei uns três dias sem dormir direito, sufocada com a minha primeira grande crise alérgica do inverno. Haja lencinho para assoar tanto o nariz.

* Semana passada me inspirei na Marie Kondo e fiz uma arrumação que há tempos vinha procrastinando. Eu tinha três caixas enormes com itens de cozinha, roupa de cama e umas tralhas pessoais. Toda vez que eu olhava para elas me sentia meio incomodada, com vontade de me livrar daquilo, sabe? As caixas me lembravam não só uma história que não deu certo, mas principalmente os problemas que essa história me causou. Então abri tudo, separei umas coisas que eu ainda queria e guardei numa caixa menor, dei outras tantas para minha mãe e joguei algumas no lixo. Acabou o incômodo, acabou a bagunça e não doeu nada.

* Terminei de ler Passageiro para Frankfurt, o último livro de Agatha Christie que eu ainda tinha na estante. Para muita gente, esse é simplesmente o pior livro dela. Mas tem quem defenda, afirmando que para entender a história é preciso levar em conta o contexto da época em que ele foi escrito. Ou seja, a Rainha do Crime tinha passado por duas guerras mundiais, estava com 80 anos, era a década de 70 e várias manifestações aconteciam no mundo.

* Comecei a assistir a segunda temporada de The Affair. Eu torcia o nariz para essa série, achava que era só sexo e traição de gente casada. Mas existe um fundo policial, existe a brincadeira dos dois pontos de vista em cada episódio e existe o Joshua Jackson. Continuo torcendo o nariz, só que para o personagem detestável do Noah Solloway.

* Minha avó fez aniversário por esses dias. Todo ano a gente fica sem saber o que vai dar de presente, porque ela tem mania de guardar tudo o que ganha e raramente usa depois. Dessa vez, eu e minha mãe passamos a manhã rodando atrás de um dos poucos perfumes que minha avó gosta. Na hora que a gente chegou lá na casa dela, com um bolinho de baunilha para o café, percebemos que o presente tinha ficado. Tivemos que rir.

* Fui numa neurologista muito boa que em poucos minutos de conversa conseguiu resumir a maioria dos meus problemas em uma frase: você precisa aprender a dizer não. No meu esforço de querer agradar todo mundo, termino desagradando a mim mesma. O que implica em mais estresse e mais crises de ansiedade.

* Recebi minha primeira solicitação de troca no Skoob. Estou mais acostumada a receber coisas pelos Correios do que mandar, mas vamos ver se vai dar certo.

23.6.16

Anotações aleatórias #4

Pequenos prazeres para fazer sem compromisso:

1) Passear por uma livraria: Andar com calma pelas seções, olhando os títulos escritos nas lombadas, as ilustrações nas capas, folhear as páginas e ler alguns trechos para saber se gosta da narrativa, sentar num daqueles sofás para ler um capítulo inteiro, ou dois… e o melhor de tudo, sem ter ninguém esperando você. 

2) Flertar com um desconhecido: Pode ser o funcionário de uma loja que você raramente entra, o motorista do táxi, o cara que sentou ao seu lado no ônibus, o guia do museu. Tem épocas na vida que a gente não quer compromisso com ninguém, mas é divertido quando rola um flerte inocente. Daqueles sem obrigação de nada, sem precisar trocar número de telefone, muito menos ver a pessoa novamente.

3) Caminhar: Muito tempo atrás, eu gostava de caminhar com a minha mãe pelas ruas de um bairro aqui perto. Por lá havia umas casas que eram bem largas, com jardim e tal, e a gente gostava de escolher a mais bonita. E como as ruas eram arborizadas, batia um ventinho fresco enquanto a gente andava sem rumo, sem pressa, só olhando e imaginando como seria bom morar ali. Pois é, fiquei com saudade de voltar a caminhar assim.

19.6.16

Leituras de maio

Não tive tempo de terminar nenhuma leitura. Estou com muitos livros grossos e isso tem dificultado bastante. Talvez o melhor seja parar de fazer essas listas e parar de me sentir culpada por fechar mais um mês sem concluir um livro. 

13.6.16

Perguntas bobas para respostas ainda mais bobas

Ando meio sem tempo de pensar em textos para escrever. Ou melhor, ando com preguiça de pensar em textos para escrever quando tenho tempo. Depois que passo o dia quase todo estudando, a única coisa que me interessa quando ligo o computador é assistir algum episódio de série ou algum filme que não seja muito longo. Por isso, para não deixar o blog com tantos hiatos, ainda que ninguém leia as bobagens que de vez em quando publico, encontrei uma lista de perguntas no Buzzfeed que pode quebrar o galho. Vamos lá.

1. Você gosta de coentro ou acha que tem gosto de sabonete?
Pelo contrário, amo coentro. 

2. O que você acha de áudios do WhatsApp?
Detesto.

3. Você também comia o chocolate da Turma da Mônica pelas bordinhas?
Eu tinha pena de partir a cabeça da Mônica ao meio na primeira mordida. Mesmo sem gostar muito de chocolate branco, eu ia contornando as bordas até sobrar só o desenho dela.

4. Qual é a melhor consoante do alfabeto?
Qualquer uma que eu escreva bonitinho. 

5. Qual é a primeira rede social que você vê de manhã?
Eu vejo o número de notificações do WhatsApp. Serve?

6. Você acha que existe alguma bala melhor que 7 Belo?
Com certeza. 

7. Que cor você acha menos confiável?
“Cor de burro quando foge”.

8. Qual foi o último filme que você viu e odiou?
Não lembro. Eu vejo tão poucos filmes, e são tão selecionados, que dificilmente eu odeio algum.

9. Qual animal parece mais simpático, um pato ou um golfinho?
Golfinho.

10. Toddy ou Nescau?
Nenhum dos dois. Café!

11. Você acha que bebês conversam uns com os outros?
Acho que eles se entendem.

12. Sabia que todo mundo é feito de poeira de estrelas?
Não. Sério?

13. Ouro Branco ou Sonho de Valsa?
Ouro branco.

14. Qual era seu desenho favorito na infância?
Perguntinha injusta! Quase todos os desenhos do início dos anos 90 eram bons, escolher um só é sacanagem. Fico empatada com Doug e Família Dinossauro – mesmo que não seja exatamente um desenho.

15. Que série você jamais reveria?
Smallville.

16. Qual personagem do Harry Potter você menos gosta?
Nem gosto de Harry Potter!

17. Qual é sua opinião sobre barrinhas de cereal?
São boas companheiras de prova. É a única ocasião que lembro de comprar e comer barrinhas de cereal. 

18. Com quem você dividiria um Bis?
Minha irmã. Se ela inventar que também quer uma coisa que estou comendo, fico de coração partido quando olho para a carinha de pedinte dela e acabo dividindo. 

19. O que você faria se achasse R$ 50 na rua?
Pegaria, ué. Eu mesma já perdi uma nota dessas.

20. Quanto tempo uma comida precisa estar na geladeira para você considerar ela velha?
Três dias.

21. Qual é seu número preferido?
Cinco.

22. Qual é o aplicativo mais inútil do seu celular?
Rádio FM. 

23. Quem você tiraria do elenco de “Friends” se fosse obrigado?
Friends é uma série que nunca me interessou, por mais que as pessoas falem bem. Mas olha, eu lembro que tem uma loira que é meio idiota. Acho que dá para tirar ela.

24. Você é contra ou a favor de comer macarrão com arroz?
Contra. Macarrão é para comer sozinho. No máximo, um espaguete ao alho e óleo acompanhando uma proteína.

25. Qual foi a última vez que você precisou usar a Fórmula de Bhaskara?
Talvez uns doze anos atrás.

26. Você acha que dá para morrer de overdose de rúcula?
Não.

27. Quanto tempo você levou para entender como funciona o Snapchat?
Nunca procurei saber como funciona, não tenho e provavelmente não terei.

28. Qual é sua opção favorita no restaurante por quilo?
Bobó de camarão.

29. Você gosta de “Sorry” do Justin Bieber?
É engraçadinha para escutar limpando a casa.

30. Você prefere passar muito frio ou muito calor?
Muito frio. 

31. Você está dormindo e sobe uma barata na sua cara. Você prefere continuar dormindo e nunca saber ou acordar e fazer alguma coisa?
Acordar, tirar a desgraçada do meu rosto e depois lavar várias vezes. Com. Muito. Sabão.

15.5.16

Leituras de abril

A garota na teia de aranha, David Lagercrantz
Continuar a história de outro autor é uma tarefa arriscada na literatura. Por isso, não me surpreendi com a grande quantidade de críticas negativas que encontrei sobre A garota na teia de aranha. Visto como uma obra única, sem comparar com os outros três volumes, o livro é bom. Tem uma narrativa fluida, ação e suspense o suficiente para prender a atenção e personagens que fazem sentido dentro da história. 

Mas se for para analisar como uma continuação da obra de Stieg Larsson, tenho que concordar com as críticas: o livro é decepcionante. Senti falta da química entre os personagens principais, muitos diálogos pareciam forçados e tanto a personalidade de Mikael Blomkvist quanto de Lisbeth Salander não parecia mais a mesma. E, sinceramente, qualquer pessoa que tenha lido a trilogia Millenium sabe que Lisbeth Salander é a melhor parte da história. 

Não quero me alongar e me tornar mais uma crítica desfavorável. A garota na teia de aranha é um livro que pode ser bom, excelente, ruim ou mediano, depende apenas do ângulo de análise. 


O quarto de Jacob, Virginia Woolf
Toda vez que leio Virginia, tenho a impressão de que todos os livros dela foram batidos no liquidificador e depois publicados. As histórias são fragmentadas, sempre há personagens esquisitos e no fim sempre fico com a sensação de estar perdida. Quando terminei de ler O quarto de Jacob, não sabia se achei o livro ruim porque não entendi quase nada ou se porque existe alguma possibilidade do livro não ser tão bom quanto os outros. Acho que o mais provável é que eu seja burra mesmo para entender Virginia Woolf.


1.5.16

Eu quero ser um passarinho

Às vezes tenho uma sensação incômoda de não pertencimento em relação à cidade onde nasci. É como se eu transitasse pelos lugares apenas de forma temporária. Olhando os prédios, as lojas, caminhando pelos corredores do shopping, entre as bancas do mercado central, como se eu fosse uma turista. Como se eu fosse alguém que só está aqui por acaso, esperando a hora certa de ir embora e começar a viver de verdade. 

Tenho essa sensação desde muito tempo. Certa vez, ainda adolescente, perguntei para minha mãe se era algum pecado não gostar de onde nasci e cresci. Sei lá. Quanto mais conheço outros cantos, mais eu percebo que as coisas que me interessam estão longe. Não apenas as livrarias grandes e famosas, os museus, os parques bonitos, as opções de cultura, o desenvolvimento. A minha própria identidade. Meu senso de pertencimento.

Tirando minha família, é como se nada me prendesse por aqui. Como se as outras pessoas não me representassem. Como se as ruas e bairros que costumo cruzar fossem um espaço qualquer no meio do mapa. Não tenho nenhuma lembrança saudosa, nenhum desejo de criar raízes, nenhuma paixão pela cidade que me cerca. Somente a certeza de que existe uma vida diferente lá fora. 

17.4.16

Leituras de março

Olhe para mim, Jennifer Egan
Este é um livro que comprei por duas razões: estava muito barato e na hora lembrei que a autora tinha um Pulitzer. Pena que as vantagens terminem aqui. Achei a história toda muito chata, sem sentido e com personagens antipáticos. São muitas páginas para contar uma coisa confusa, tem uma porção de diálogos (até mesmo capítulos) que poderiam ser cortados, e só quase no final é que comecei a entender mais ou menos o que estava lendo. É uma espécie de crítica ao exibicionismo, essa coisa de pessoas comuns querendo ser famosas a todo custo, querendo viver como se a vida fosse um reality show. Nesse meio a autora ainda encaixa um terrorista para ligar as histórias paralelas e tornar o livro mais confuso. Da próxima vez é melhor eu prestar mais atenção nos livros baratos que encontro por aí, porque tempo é algo caro demais para se perder.

24.3.16

O loop infinito do descaso

Fazia um tempão que eu não andava de táxi. Daí calhou de eu precisar ir num médico e em seguida numa farmácia de manipulação. Não dava para ir de ônibus, pois era uma rota complicada, cada lugar ficava num caminho diferente e disposição para andar devagar no sol quente eu não tinha.

Quando entrei no primeiro táxi, fiquei sem saber o que fazer. Fico calada? Fico mexendo no celular? Puxo conversa? Falo de Lula e Dilma? Dos ovos de páscoa caros?

Para minha sorte, assim que paramos num sinal vi um rapaz jogar uma garrafa vazia no chão de um posto de gasolina. Bem próximo do rapaz tinha uma lixeira grande. Enorme, para ser mais precisa. Seriam mais ou menos cinco passos com as pernas compridas que ele tinha. Mas não. É mais fácil jogar no chão e alguém que limpe.

Ou que chova, encha de água, fique lá parada e vire uma casinha linda e aconchegante para a dengue. Falei para o taxista que o rapaz era um mal educado. O taxista ficou surpreso e perguntou se eu era de outra cidade. 

Olha onde chegamos: eu teria que ser turista ou de algum canto civilizado para saber que lixo se joga no lixo. Que é obrigação de cada um cuidar da cidade onde mora. Que se o mosquito não nasce, a doença não passa.

“Eu sou daqui mesmo. É que perto da minha casa tem um foco de dengue, justamente porque as pessoas jogam lixo na rua.”

Ele concordou, trocamos mais algumas palavras, cheguei no meu destino. Nas duas outras corridas que fiz, a mesma coisa: continuei vendo exemplos de lixo pela rua. Aí cansei de comentar. 

Esse ano o ovo de páscoa está caro, né?

17.3.16

Pequenas alegrias na caixa de entrada

Em tempos de mensagem instantânea, receber um e-mail pessoal é artigo quase tão raro quanto receber uma carta. É sempre promoção de loja, coisas de trabalho, avisos da faculdade, confirmação de compra, spam, notificações das redes sociais etc.

Felizmente, isso está mudando. 

Toda semana recebo newsletters divertidas com recomendações de livros, comentários sobre filmes, besteiras sobre a vida; e todas com um jeitinho tão íntimo, que parece que foi escrita só para mim. 

Só não invento de fazer uma porque além de ter pouquíssimos leitores, não tenho assunto para sustentar uma newsletter. Minha vida é pautada entre ter crises de ansiedade e crises existenciais. Mas enfim. Quero mais textinhos para ler no meu e-mail.

6.3.16

Sobre o peso da ansiedade

Faz um tempo que vejo as pessoas falando mais abertamente sobre ansiedade e seus transtornos. O que acho muito bom, pois não é apenas a depressão que merece destaque. É um problema sério? Sim. Afeta a vida de várias pessoas? Com certeza. Mas a ansiedade também. 

Desde criança eu sou ansiosa e achava que isso era uma característica de personalidade, como ser tímido ou engraçado. Nessa época eu convivia bem com ela, até que os anos foram passando, situações novas acontecendo e os sintomas mudando. 

Na época que eu fazia cursinho pré-vestibular, tinha dias que eu vomitava sem motivo nenhum e minha mãe achava que era algum problema de estômago. Depois, entre o segundo e o quinto período na universidade, comecei a ter crises de pânico. Eu não podia ir para nenhum lugar diferente da minha rotina porque achava que ia morrer. Felizmente, com muita graça divina e atividade física consegui ficar bem.

Hoje em dia a ansiedade voltou a me perturbar. O problema é que, como eu tive depressão, passei um longo período estressada, e ainda convivo com preocupações, os sintomas ficaram bem piores: insônia, dor de barriga, náuseas, taquicardia, dificuldade para respirar, tensão muscular, pânico, aperto no peito, dor no estômago, fraqueza e sensação de que estou enlouquecendo.

Tudo isso é desgastante. Quase sempre estou me sentindo cansada, minha qualidade de sono é ruim, minha imunidade baixa com facilidade, e o pior, tenho crises que acontecem do nada. Pode ser num supermercado, antes de dormir, dentro do carro, no cinema – qualquer lugar e qualquer hora.

Atualmente meu medo não é de morrer, mas de ir para lugares que não posso “fugir”. De ter um ataque de pânico na rua. De ter uma crise de enxaqueca ou um mal-estar fora de casa. Só me sinto segura em casa. Se por acaso eu tiver enxaqueca, o remédio está na gaveta e a bolsa de gelo pronta no congelador. Se for um mal-estar, tenho minha cama para deitar e um banheiro livre perto do quarto. Se for para ter um ataque, pelo menos estou dentro de casa.

Para quem está de fora é difícil compreender. É normal que pensem que é frescura, desculpa esfarrapada ou preguiça de sair de casa. Que pensem que é loucura. Algumas pessoas tentam compreender, dão conselhos, mandam fazer terapia, indicam médicos. Mas para quem suporta, como eu, e tantos outros, a ansiedade é um pesadelo. É uma prisão. É como sentar no canto do quarto, todo encolhido, enquanto uma névoa densa vai sufocando e escurecendo tudo.

Tem dias que eu não sei o que fazer, que fico puta de raiva, que prefiro não me desgastar (ainda mais) e evito determinadas situações, que fico contando números, que tento meditar, que consigo uma vitória, que saio pesquisando terapias alternativas, além do tratamento que comecei com homeopatia. E nisso, é uma vida que vai se tornando limitada, por mais que eu queira vivê-la por completo.

1.3.16

Leituras de fevereiro

Fevereiro foi um mês complicado em termos de saúde. Pensei que ia terminar um livro que comecei no ano passado – um desses que são meio arrastados, com personagens meio chatos, mas que ao mesmo tempo conseguem prender a atenção –, quando fui picada pelo mosquito da dengue. Tive que dar uma pausa nas leituras, nos estudos, nas séries, na vida em geral. Agora me resta ter paciência enquanto minhas articulações se recuperam e minha rotina vai voltando ao normal.

23.2.16

Nunca subestime o poder de um mosquito

Foi só o carnaval terminar para os jornais esquecerem os bloquinhos de rua, as escolas de samba, a euforia das pessoas, o xixi na rua, a música da metralhadora. De repente voltaram a lembrar da zika, da dengue, do aedes aegypti, dos postos de saúde lotados, da população doente, dos mutirões do exército, dos bebês com microcefalia. E eu que não gosto de carnaval nem de mosquito, acordei na quarta-feira de cinzas mais detonada que tênis de folião.

Pela lista de sintomas eu posso dizer que estava com chikungunya, mas os exames podem dizer que foi uma dengue tresloucada. Ninguém tem certeza de mais nada. Só sei que nunca tive uma doença para sentir tanta fraqueza e tanta dor ao mesmo tempo. Parecia que eu tinha envelhecido uns cem anos e perdido o controle de tudo. Dor para levantar, para tomar banho, para andar, para sentar no vaso, para prender o cabelo, para mastigar. Onde houvesse uma articulação lá estava a dor.

Dois dias de febre, muito sono e força nenhuma para sair da cama. Acho que a cada cinco minutos minhas pálpebras pesavam e eu voltava a dormir. Enjoo, vontade nenhuma de comer, litros de água e suco de cenoura para beber, centenas de manchinhas vermelhas no corpo. Quando comecei a me sentir melhor no terceiro dia, tentei fazer alguma coisa dentro de casa, mas quanto mais eu me movimentava, mais as articulações doíam.

Lá pelo quinto dia de prostração comecei a me sentir deprimida. Eu continuava cheia de dor, horrorosa com a explosão de manchas no meu corpo, chateada com a minha situação de “inválida”. No sexto dia estava sem paciência, irritada, detestando todos os homens na face da terra. Sabe como é, minha mãe estava doente também e não havia ninguém para nos ajudar. Ficamos as duas cheias de dores, com comida para fazer, casa para limpar e roupa para lavar. O que me lembrou algo que detestei mais do que tudo dentro de um casamento: o conceito que os homens têm de que a manutenção da casa é responsabilidade só da mulher.

Enfim, voltando ao assunto. 

No sétimo dia ainda estava irritada, mas sentia tanta coceira por causa das manchas, que a irritação virou mau humor e a melhor solução que encontrei foi assistir ao filme do Leonardo DiCaprio. É um bom filme, apesar de certos exageros, de certos deslizes, de ser cansativo e tal, mas no final terminei com a sensação de ter feito algo útil.

Já se passaram quase duas semanas desde que adoeci. Mesmo agora, enquanto escrevo este texto, não estou completamente boa. Ainda estou sem muita vontade de comer, meus tornozelos incomodam quando desço escadas, me canso com facilidade e continuo tendo algumas dores, principalmente nas mãos e no pescoço. Já me disseram que caso tenha sido chikungunya, talvez eu tenha umas recaídas e fique com algum problema de articulação por um tempo.

E depois me vem a propaganda do governo dizer que o mosquito não pode ser mais forte.

30.1.16

Leituras de janeiro

Ansiedade – Como enfrentar o mal do século, Augusto Cury
Não é exatamente o tipo de livro que estou procurando, mas ele traz questionamentos sobre construção de pensamentos, excesso de informações e como todos nós estamos adoecendo – das crianças aos adultos. A linguagem é bem acessível, apesar de ser um tema complexo, a leitura é leve e parece mais que o autor está na nossa frente fazendo uma palestra. Por falar no autor, suas preocupações em relação à humanidade me parecem bem sinceras (ou alarmantes, mesmo). 

“Sem perceber, a sociedade moderna – consumista, rápida e estressante – alterou algo que deveria ser inviolável, o ritmo de construção de pensamentos, gerando consequências seriíssimas para a saúde emocional, o prazer de viver, o desenvolvimento da inteligência, a criatividade e a sustentabilidade das relações sociais. Este é um grito de alerta.”

“Se considerarmos a Síndrome do Pensamento Acelerado como um transtorno de ansiedade, será difícil encontrar alguém que tenha saúde psíquica plena. A humanidade tomou o caminho errado. Estamos adoecendo rápida e coletivamente!”

Ainda espero encontrar um livro que aborde técnicas e formas de controlar a ansiedade, alguma coisa que vá além da terapia ou dos remédios. Ansiedade é um tema que tem me interessado bastante, afinal, sou uma pessoa ansiosa, sofro com as crises e isso tem atrapalhado muito minha vida. 

15.1.16

Desejos para um ano que chega

Nas últimas semanas estive tão ocupada, envolvida com festas de família, que nem tive tempo para avaliar o ano que passou ou pensar numa lista de metas. Geralmente gosto de anotar as coisas que pretendo fazer ao longo do novo ano, mesmo que a maioria delas eu nem chegue perto de cumprir. 

Para 2016, por exemplo, eu desejo ser menos sedentária, me alimentar melhor, seguir certinho os horários de estudo, assistir pelo menos um filme por mês, completar meu livro de colorir, escrever mais, me maquiar mais, terminar todos os livros que comecei a ler… Enfim, coisas simples.

O único problema é que esses pequenos desejos vão se perdendo no cansaço do dia a dia. A lista de metas vira uma frustração, outro ano termina e lá vamos nós escrever as mesmas coisas na esperança de que dessa vez elas se cumpram. 

Ou talvez não. Tudo é uma questão de força de vontade. 

Ser menos sedentária? Posso dar algumas voltas na praça, caso seja difícil demais entrar numa academia. Alimentação mais saudável? Perto da minha casa tem várias lojas de produtos naturais e orgânicos. Assistir filmes, ler mais, colorir, escrever? É só administrar melhor o meu tempo de noite. Me maquiar? Recentemente fiz um curso de automaquiagem, seria uma boa praticar o que aprendi e sair do básico. Estudar sério? Tem dias que a preguiça é grande, mas se eu não fizer isso por mim, ninguém vai.

É um novo ano, uma nova chance de criar bons hábitos (por falar nisso, já li que um hábito é criado depois de 21 dias consecutivos realizando a mesma tarefa), uma nova oportunidade para mudar a rotina. Quem sabe eu não consigo cumprir tudo?

6.1.16

Era uma vez a dieta

Hoje, dia seis de janeiro, eu poderia voltar a comprar livros. O acordo inicial, quando anotei a data na agenda, era passar um ano inteiro sem comprar nada, lendo apenas os exemplares que já tenho em casa. Mas quem disse que eu aguentei? Primeiro foi um livro de colorir, depois um que estava baratinho, aí veio um na cidade do namorado, outro que levei anos até encontrar num sebo e um que peguei de graça numa promoção. 

Ou seja: me sabotei.

Não só nessa parte de comprar livros, na hora de sortear também. Eu tirava o papel e se por acaso saía um livro ruim, colocava de novo no pote e tirava outro. Ou eu nem sorteava nada: pegava qualquer livro que estivesse com vontade de ler e acabou.

Por isso no começo do texto eu disse que poderia voltar a comprar livros. Quer dizer, eu posso, apesar de não ter seguido a dieta direitinho. Só que por incrível que pareça, não estou com tanta vontade assim. Tenho a minha lista de livros desejados, gosto de olhar as promoções nas livrarias, estou até pensando em comprar um e tal, mas me sinto mais controlada.

Esse tempo de pausa forçada me fez pensar na época que eu lia mais do que comprava. Eu não tinha grana, pegava a maioria na biblioteca e mesmo assim ficava satisfeita. O importante era estar sempre lendo.

Não preciso ser radical de novo e parar de comprar, mas daqui para frente pretendo ser mais uma leitora compulsiva do que uma compradora compulsiva.

2.1.16

Leituras de dezembro

Como este foi um mês de compras, filas demoradas, crises de alergia, saídas inesperadas, natal, ano-novo… decidi não me sentir culpada caso não terminasse nenhuma leitura. Espero que os próximos meses sejam mais produtivos, que eu continue comprando menos livros e me esforçando mais na tentativa de zerar minha estante. Por ora, fico satisfeita com minhas conquistas.