6.3.16

Sobre o peso da ansiedade

Faz um tempo que vejo as pessoas falando mais abertamente sobre ansiedade e seus transtornos. O que acho muito bom, pois não é apenas a depressão que merece destaque. É um problema sério? Sim. Afeta a vida de várias pessoas? Com certeza. Mas a ansiedade também. 

Desde criança eu sou ansiosa e achava que isso era uma característica de personalidade, como ser tímido ou engraçado. Nessa época eu convivia bem com ela, até que os anos foram passando, situações novas acontecendo e os sintomas mudando. 

Na época que eu fazia cursinho pré-vestibular, tinha dias que eu vomitava sem motivo nenhum e minha mãe achava que era algum problema de estômago. Depois, entre o segundo e o quinto período na universidade, comecei a ter crises de pânico. Eu não podia ir para nenhum lugar diferente da minha rotina porque achava que ia morrer. Felizmente, com muita graça divina e atividade física consegui ficar bem.

Hoje em dia a ansiedade voltou a me perturbar. O problema é que, como eu tive depressão, passei um longo período estressada, e ainda convivo com preocupações, os sintomas ficaram bem piores: insônia, dor de barriga, náuseas, taquicardia, dificuldade para respirar, tensão muscular, pânico, aperto no peito, dor no estômago, fraqueza e sensação de que estou enlouquecendo.

Tudo isso é desgastante. Quase sempre estou me sentindo cansada, minha qualidade de sono é ruim, minha imunidade baixa com facilidade, e o pior, tenho crises que acontecem do nada. Pode ser num supermercado, antes de dormir, dentro do carro, no cinema – qualquer lugar e qualquer hora.

Atualmente meu medo não é de morrer, mas de ir para lugares que não posso “fugir”. De ter um ataque de pânico na rua. De ter uma crise de enxaqueca ou um mal-estar fora de casa. Só me sinto segura em casa. Se por acaso eu tiver enxaqueca, o remédio está na gaveta e a bolsa de gelo pronta no congelador. Se for um mal-estar, tenho minha cama para deitar e um banheiro livre perto do quarto. Se for para ter um ataque, pelo menos estou dentro de casa.

Para quem está de fora é difícil compreender. É normal que pensem que é frescura, desculpa esfarrapada ou preguiça de sair de casa. Que pensem que é loucura. Algumas pessoas tentam compreender, dão conselhos, mandam fazer terapia, indicam médicos. Mas para quem suporta, como eu, e tantos outros, a ansiedade é um pesadelo. É uma prisão. É como sentar no canto do quarto, todo encolhido, enquanto uma névoa densa vai sufocando e escurecendo tudo.

Tem dias que eu não sei o que fazer, que fico puta de raiva, que prefiro não me desgastar (ainda mais) e evito determinadas situações, que fico contando números, que tento meditar, que consigo uma vitória, que saio pesquisando terapias alternativas, além do tratamento que comecei com homeopatia. E nisso, é uma vida que vai se tornando limitada, por mais que eu queira vivê-la por completo.

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