17.2.11

Mais uma vez, Fevereiro

Depois de uma entrevista frustrada, em uma semana que mal tenho condições de escolher entre uma roupa ou outra, decidi parar. No meio do caos que se tornou minha mente e meus dias, desliguei o celular e guardei o notebook na gaveta.

Pouco me importa o vestido recém-comprado, o sapato de salto alto, a beca que ainda preciso provar ou os convites para entregar. Também pouco me importa os jornais, entrevistas de emprego ou espalhar currículos.

Não quero ficar pensando em beijos em praças, nem esperar por mensagens inesperadas no meio da madrugada. Não quero procurar por emails que só existem na minha esperança e nem forçar meus neurônios a pensar em teorias, desculpas ou descobrir quem está falando a verdade. Principalmente se um lado mal se importa se existo.

Quero dar um tempo das pessoas, da civilização, dos problemas alheios, da família que perdeu tudo na chuva. Não quero saber de lições de moral e nem cobranças de que preciso urgente de um emprego ou que eu devia fazer terapia, como aconselhou a psicóloga da entrevista.

Quero me distanciar de tudo por um tempo, esfriar meus pensamentos e aplacar minhas incertezas. Estou fatigada, mentalmente estressada e exausta de paixões que se desmancham em encenações.

Não consigo me sentir feliz com o fim da faculdade, com a minha falta de dinheiro, com o meu medo do futuro, com a incerteza das pessoas que se aproximam, com o tempo perdido, com os fantasmas daquele final nunca perdoado e com os arrependimentos da razão.

Preciso de um tempo ou vou destruir cada pedaço que pacientemente montei e consertei. Porque não suporto outra vez um desconhecido me fazendo chorar e apontando milhares de defeitos, confundindo minhas ideias e apertando minhas feridas.

Apenas porque acordei num dia complicado, sem forças ou fé para lutar, descrente de tudo e mais revoltada do que naquele abril doloroso, quando todo o meu mundo de papelão e aparências despencou na lama.


* Texto escrito no início desse mês, durante uma crise de depressão e pensamentos ruins.


8 comentários:

  1. Intenso seus pensamentos,crises assistenciais ja ha tive!

    beijos

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  2. suas palavras ontem me fizeram sorrir. =]

    obrigada.

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  3. Força e fé pra você, Laralinda.
    Espero que passe e fique tudo doce aí por dentro.

    Beijos.

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  4. Todo mundo precisa de um tempo, de apagar coisas antigas e começar de novo.
    Felizmente, tudo nessa vida passa.

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  5. Parece que você me descreveu, em meados de 2007, assim que terminei a faculdade, terminado um relacionamento e sem nenhuma perspectiva. Só quero te dizer, bonita. Isso passa. É só uma questão de tempo, de arrumar a casa e colocar as coisas em ordem dentro da cabeça. Tudo em seu devido tempo, doce. É como diz Caio F. :Relaxa, baby e flui: barquinho na correnteza, Deus dará. É questão de tempo. Apenas respire.

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  6. Nossa me identifiquei com tanta coisa aqui, que dá vontade de arrancar os medaços do seu texto e escrever um.
    Precisamos sair e conversar.
    beijos

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  7. Adoro o jeito como você usa as palavras!
    Várias vezes me senti assim!! E quer saber a gente sempre consegue dar a volta por cima! Força!
    E Parabéns pela formatura, é um momento único, que coroa anos de dedicação! Aproveite este momento que passa tão rápido! Beijos

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  8. Alguns amores acabam antes que possa ser sentidos, antes que valham a pena serem sequer imaginados.

    Que você encontre motivos para fazer teu mundo voltar a sorrir e se preciso for uma terapia não é má ideia.

    Beijos em ti.

    Charlie B.

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