4.8.19

Das coisas que minha alma quer dizer

Há meses tento escrever. Há algo preso em mim. Um grito agoniado implorando para sair. Uma angústia chorada. Um desejo de me rasgar, berrar, despejar a infelicidade e o que mais parece não ter fim.

Vivo cansada, apática, esgotada mentalmente. Meu corpo diz sim, faça isso. Você merece um tempo. Você PRECISA URGENTEMENTE de um tempo.

O choro quer sair. Minha alma quer vomitar. Eu quero me encontrar e ser feliz.


A depressão é uma praga que voltou a me assolar.

9.12.18

Da vida que acontece e o que não posso controlar

Eu sumi. Após uma decepção amorosa e o resultado das eleições, senti que eu precisava desconectar um pouco, tentar fechar os olhos para as coisas que não posso controlar, descansar a mente e organizar meus sentimentos.

Passei a evitar o celular durante a noite, testei uma nova rotina para dormir, me entreguei com prazer às leituras e caí nas graças de Elena Ferrante – com atraso, admito, mas estava desconfiada de que fosse outra cilada editorial.

Me questionei bastante, ponderei sobre o futuro, senti a necessidade de um plano b, pus a mão na cabeça e me perguntei, admitindo minhas derrotas internas: “e agora?”.

Em breve, terei que seguir rumos que não me são agradáveis. Terei que caminhar um pouco mais, e por lugares tortuosos, para enfim chegar onde quero. E garanto que não tem sido fácil para a minha cabeça aceitar essas mudanças bruscas, como se pode ver neste texto confuso.

Resumindo. Moral da história. Novamente aquele velho conceito de dar um passo para trás, e então conseguir dois para frente.

10.10.18

Do meu jardim, que molda e se amolda

Tenho pensado em flores, em podas, em florescer e reflorescer. Tenho me refugiado na ideia de que murchei, perdi minhas folhas e, no silêncio dos dias de saudade e coração apertado, uma parte de mim segue se regenerando para crescer com força e romper novos botões.

Tenho pensado em coisas que antes pareciam fazer sentido e hoje vejo que eram bobagens, uma fuga de foco e prioridade. Tenho pensado em como me deixei reduzir a características tão banais, tentando me encaixar em espaços que, no fundo, não cabiam na minha essência.

Tenho pensado em como às vezes me sinto inferior, desmerecedora e sem nada para oferecer. Tenho pensado em que tipo de mulher pareço ser e que tipo serei daqui a alguns anos. Tenho pensado no que estou fazendo da vida e no quanto me assusta cair numa existência banal, seguindo um padrão pré-definido de satisfação.

Tenho pensado, pensado e pensado. Tenho pensado em tantas coisas porque o tempo está passando, em breve terei 31 anos, em poucos meses se finda mais um ano, e eu continuo aqui, no mesmo lugar. Enquanto meu jardim, antes tão pequeno e cômodo, está começando a ficar sufocado pelas paredes do limite, querendo se espalhar feito selva, derramando seus galhos, folhas e flores numa força tão grande, que seja impossível parar.