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8.6.24

Este é mais um texto triste

Tinha decidido que este ano iria tentar viver e tentar encontrar beleza nos dias comuns, apesar dos problemas ao redor. Iria tentar sair do piloto automático que me permitiu seguir no meio do caos. E no meio das pequenas mudanças, abri meu coração. Estava feliz, sentindo que havia encontrado minha pessoa. Que finalmente a vida tinha me sorrido e me mandado aproveitar. 

Mas o que era bonito e deixava meus dias mais leves, se transformou numa decepção cheia de lágrimas, quilos perdidos, insônia, tarja preta para ficar anestesiada. Foi como se a vida tivesse dito “te enganei, era uma pegadinha”. Me tornei silêncio, tristeza, dias monótonos e coração partido. Meu único desejo era dormir e acordar só depois que minhas feridas estivessem cicatrizadas.

Ainda não me sinto bem. Não imaginava que ficaria tão mal. Mas continuo seguindo um dia de cada vez, juntando meus caquinhos, encolhida no meu casulo. Apenas esperando que o tempo passe e faça sua mágica.

26.3.24

Sobre verdades que doem e desejos

Quando vejo alguma pessoa que gosto vivendo momentos felizes, principalmente no amor, gosto de afirmar para essa pessoa que ela merece viver tudo isso. Ao mesmo tempo, olho para dentro de mim e me pergunto será que também não mereço? Será que, assim como desejo o melhor para os outros e fico feliz por eles, eu não deveria viver algo parecido também?

Dias atrás comentei com minha mãe sobre algo que estava me incomodando. Ela falou o que achava da situação, depois soltou uma frase que tocou bem lá no fundo. Chegando a doer.

“E onde fica o seu crédito de amor?”.

Sim, também mereço amor. Também mereço alguém que tenha medo de me perder e demonstre que está interessado em mim. Mereço alguém que veja uma livraria e diga que se lembrou de mim. Mereço alguém que veja flores e se lembre de mim. Mereço alguém que cuide de mim, que respeite meu tempo e minha atenção. Mereço alguém que saiba que não gosto de rosas vermelhas, mas das rosas cor-de-rosa. Mereço alguém que saiba que "Cem anos de solidão" é meu livro favorito ou que sempre peço sorvete de morango. Alguém que saiba as dores que passei. Alguém que saiba que odeio injustiça. Alguém que me ache incrível mesmo quando eu não estiver me sentindo suficiente. Alguém que me assuma, que se admire de quem sou e que se orgulhe de estar comigo. 

Mereço alguém que goste da minha companhia, mesmo nos dias comuns ou nas coisas mais chatas, como enfrentar uma fila de supermercado. Mereço alguém que seja meu abraço, meu conforto e meu abrigo nos dias ruins. Mereço alguém para conversas profundas e fofocas bobas. Mereço alguém para discutir política, comentar filmes, mandar músicas. Alguém que me encha de memes e vídeos fofos de gatinhos. Mereço alguém que saiba pedir desculpas quando errar. Mereço alguém que conheça minhas manias, chatices e variações de humor. Mereço alguém que me ame, me deseje e me devore na cama. Mereço alguém que não me deixe dormir confusa, angustiada ou achando que sou uma trouxa sem importância.

Simplesmente mereço alguém que esteja comigo. Por inteiro.

23.10.23

Cansaço repetido

Existe uma cena na minissérie Maid que representa bem como venho me sentindo ao longo deste ano. A personagem Alex está com o olhar vazio, sentada num sofá, enquanto a vida acontece ao seu redor. Cada vez mais ela vai se afundando, até que acaba sendo engolida pelo sofá e se torna parte dele.

Do ano passado para cá, as coisas mudaram na minha família numa velocidade tão grande que não houve tempo para processá-las. De repente meus avós se tornaram incapazes de morar sozinhos. Minha mãe teve que se dividir entre nossa casa e a deles. Depois minha tia e o marido, e no fim, o cansaço do cuidar começou a sufocar.

Ficamos todos estagnados, com a vida bagunçada, sem conseguir fazer nada. Começaram os atritos. As expressões insatisfeitas. As reclamações constantes. O desgaste da mente.

Parei no tempo. Perdi a vontade de encontrar amigos ou conhecer pessoas. Me sinto sempre cansada. Recuso os convites que aparecem. Sigo numa rotina sem rotina fazendo o possível com a energia que tenho. Sabe quando o carro está com a embreagem pesada e você continua forçando? Sou eu.

E cansada que estou, pelo menos hoje queria ficar aqui sentada no meu sofá, esperando uma mão gentil que me puxe para levantar.

24.2.12

Tristeza não tem fim

Eu deveria estar escrevendo sobre coisas mais alegres e menos enigmáticas. Mas desde o final de janeiro fui apunhalada por várias notícias ruins. De um final de namoro bem doloroso e inesperado, até a descoberta de que uma das pessoas que mais amo está doente, e não há nada que se possa fazer. Aliás, nem mesmo a pessoa sabe que está doente. O que torna a situação ainda mais delicada.

Para completar o quadro geral de infelicidade, perdi totalmente o ânimo para estudar. Consegui me matricular numa disciplina que desde os tempos de Jornalismo eu desejava, entretanto... não faço a mínima ideia se poderei cursar. O horário é péssimo, não posso estar em dois lugares ao mesmo tempo e nem minha cabeça está no lugar para me preocupar com questões cinematográficas.

Não sei, não sei. Só consigo olhar para o céu e perguntar por que fui tão escolhida a dedo. Por que tantas coisas ruins na vida de alguém que nem é tão ruim assim. O que vem depois de tudo isso? Será que existe algum amanhã para consertar tudo isso? Minha dureza se perdeu junto com a esperança.

21.2.12

Hífen

Apesar de tudo, continuo acreditando que um dia o ele errante encontrará o ela desacreditado; vencendo os pejorativos e completando o nós.

7.2.12

Vírgula

Nem todos os silêncios significam fuga.

Nem todos os passos para trás representam derrota.

E quase todas as palavras vomitadas doem mais na gente do que nos outros.

2.2.12

Espaço duplo

Desde que me envolvi com Murphy, entrei num período infinito de provações. Das quais serei sensata e prefiro nem listar. Mas como miséria pouca é bobagem, e entre todas as coisas que podem dar errado a pior alternativa é que acontece, descobri um sotaque conhecido e doloroso na mesma sala onde trabalho. 

Exatamente o mesmo sotaque que fazia derreter o meu coração gelado. A cada 'nega' despejado no escuro, enquanto eu desmontava de amor, nos braços de quem já não me quer.

Colchetes

Fim de amor é aquela coisa linda que te faz perder uns quatro quilos de uma vez só; te faz colecionar noites mal dormidas; e te faz querer desabar a chorar em qualquer lugar. 

Até mesmo num ponto de ônibus. Às duas da tarde.

1.2.12

Aspas

Existe aquela história de esperar o barro secar. 

De que não adianta querer limpá-lo enquanto estiver molhado. Tem que esperar o tempo secar, e só então tirar a poeira. Fica mais fácil.

Só espero que a meteorologia seja generosa, faça ventar forte, e seque logo o barro que se transformou meu coração.

Parênteses

Todo fim é assim: você escreve os verbos no passado, mas sabe o efeito que ainda lhe causam no presente.

31.1.12

Ponto-final

Esconde-se o amor o máximo que pode, para que este amor, em uma declaração mal colocada no tempo, não mate o pouco que existe. E o mesmo amor, olha só que ironia, por viver tanto tempo escondido, é o que me mata no então. Pois não consegue lutar contra o encenado e deliberado.

29.1.12

Dois-pontos

Deste ano, que dizem ser o último, desejei apenas o amor. De mim para ele, e dele, sabe-se lá o milagre que poderia acontecer, para mim. Dentro e fora de lençóis amarrotados. Na vida em si. Mas fui roubada pelo mesmo amor. Em outras promessas. Febris e gritantes. Coisa que há muito não faço, desde o instante em que a vida ensinou-me a viver apenas do presente, uma vez que o terreno do futuro é incerto demais para investir em plantações hipotéticas. Qualquer sem-teto pode invadi-lo e reivindicar a posse.

28.1.12

Desamores

Lembro daquele quarto, onde as tardes pareciam noites e nós dois lutávamos para não nos apaixonarmos, nos empurrando para um jogo de perdedores.

Lembro do seu riso, quando dizia que minhas calcinhas eram pequenas e as que eu considerava gigantes, eram supostamente o tamanho normal.

Lembro da sua ordem de vinte minutos e do meu estômago revirado de ansiedade, enquanto ouvia você cantando Raul Seixas, nós dois deitados no banco do carro, em plena madrugada de quarta-feira.

Lembro da espera por cada email seu, da doçura de cada palavra, do seu jeito de dizer “compreendo” ou “entendo”, e do prazer em contar os dias para te ver. Mesmo que nunca desse certo.

Lembro de todos os anos que passei te esperando, das noites que voltei para casa chorando porque não era a mim que você beijava nas festas, e da sensação de alívio quando finalmente me libertei de você.

Lembro de beijos e palavras doces numa cama que me fazia esquecer o mundo, de um sotaque que tirava o meu juízo e me fazia questionar o que realmente preciso. Porque era a primeira vez que eu finalmente amava, e me sentia pronta para ser submissa a algo que subjugava.

Lembro desses e de tantos outros (des)amores, ruins ou únicos, e lembro o mesmo sentimento em cada um. A vontade de levar adiante suplantada pelo medo, pela desconfiança e pelo fato de que nunca fui de nenhum deles de verdade. E nos poucos em que desejei ser, só consegui espatifar ainda mais o coração.

10.1.12

Desatendimento ao cliente

A pessoa encomenda toda curiosa um hidratante firmador, na esperança de levantar a bunda caída, e espera pelo seu pedido durante longos onze dias. Sem receber da loja nenhuma notificação por e-mail ou telefonema para avisar se houve atraso ou alguma indisponibilidade no estoque. Um tanto desconfiada, a pessoa estranha esses longos dias de atraso e resolve entrar em contato com a transportadora. Enfim, a pessoa descobre que por duas ou mais vezes o estabelecimento estava fechado ou o cliente ausente.

Pacientemente a pessoa agenda um horário e sai correndo do trabalho no dia marcado para que o entregador não encontre a casa vazia mais uma vez.  Então, a pessoa espera durante a tarde toda, um pedaço da noite, até o fim do horário de entregas e nada. Depois, com uma baita raiva, a pessoa descobre pelo rastreamento que o entregador resolveu ir pela manhã, em algum horário não combinado via telefone. Resultado: duas ou mais vezes ausente ou estabelecimento fechado.

Juro que se eu não receber meu pedido ainda essa semana, encaminho minha queixa contra a Sack's para o Procon mais próximo.

27.12.11

Consideração

Não é um preconceito, mas um conceito: cartomantes me fazem mal.

17.12.11

Dor matinal

Cinco e pouquinha da manhã, acordo sobressaltada com o meu pai gritando-reclamando-xingando, sabe-se lá o quê, em seu sotaque de nordestino criado na dureza. Sou retirada à força de mais uma noite ruim, com os olhos pequenos e inchados, cansados de afogar mágoas, como tem sido há certo tempo. Não entendo o que ele está falando, mas o escuto subir as escadas, entrar no quarto do meu irmão do meio, e surrá-lo. Por um motivo que desconheço, porém de maneira humilhante. 

Tranco ainda mais minha porta, não quero ouvir, não quero me meter em mais nada. Há tempos essa casa não me cabe mais, nem aos meus conceitos. São cinco e pouca. Meu irmão continua calado, enquanto o outro continua a desferir sua raiva em sonoros estalos de cinto. Fecho os olhos, resmungo um “Jesus Cristo, essa hora da manhã!”. Meu pai vai embora, o símbolo do amor aparece. Também não quero ouvir o que minha mãe está dizendo. Já tenho a minha própria vida dizendo, em letras graúdas, um sonoro BEM-FEITO.

Acordada, sem fé no destino e com um expediente inteiro pela frente, só me resta fingir que nada ouvi e me entregar ao gelo do chuveiro. Tenho um coração dolorido e egoísta demais para me preocupar com terceiros.

13.12.11

Vazio

Tem horas que nem a fotografia resolve a falta de palavras e o excesso de ócio. Desanima, mas minha capacidade para os textos profundos se perdeu em alguma vala de esgoto, em algum bairro de periferia, ou no cansaço da correria nas redações da vida.

4.12.11

Machismo

A pessoa passa a semana inteira sob estresse, e na tensão de saber se será ou não admitida em uma nova empresa. Daí, no único dia de folga que a pessoa tem, ela trabalha feito uma condenada, porque os dois únicos homens da casa são incapazes de levantar o traseiro e lavar um prato ou varrer uma sala.

Por essas e outras, se casamento significa se tornar escrava de alguém - porque nem empregada doméstica rala tanto assim - eu prefiro juntar os trapos com a solidão. Ao menos ela não sujaria o que eu calejei as mãos para limpar.

25.11.11

Nhém-nhém-nhém

Daí que eu não aguento mais ficar tanto em repouso nessa casa vazia. Nem beber tanto líquido. Nem visitar consultórios. 

Eu quero é ver gente que não esteja doente, falar com gente que não seja médico, receber abraços em vez de agulhadas nos braços, ouvir coisas divertidas e sentir calor humano, para compensar todo o vazio desses dias.

23.11.11

Inferno astral

Eu sou uma pessoa insuportável e emotiva quando fico doente. Primeiro porque adoecer é um acontecimento muito chato, principalmente quando se tem alergia a quase tudo, e a única solução é esperar pacientemente que os sintomas amenizem. Segundo, porque os dias ficam longos demais e me sinto a própria bruxa dos contos de fadas, de tão feio que o reflexo no espelho me parece.

No começo da semana eu estava numa fila de urgência, com a cabeça explodindo, cheia de febre, dores nas articulações, com o médico sem saber exatamente qual era o meu problema, e só conseguia me perguntar como em um dia eu estava bem e no outro padecendo. Como em tão pouco tempo minha cara se tornou horrível e porque, para completar, ainda fui agraciada com uma tpm.

Bônus esse que tem me feito querer chorar praticamente o tempo todo, principalmente a cada instante que meu celular toca e descubro que é apenas o trote do Faustão ou a própria operadora me pedindo para colocar mais créditos. Ou quando vejo as olheiras fundas sob os olhos, combinando com as roupas caindo depois de alguns quilos perdidos. Ou porque meu sentimentalismo vagabundo, misturado com o sentimentalismo hormonal, apagam qualquer rastro de decência e inteligência humana.

E como se não bastassem os incidentes citados, e as reclamações mais que infantis (mas aposto que se vocês vissem meu estado concordariam totalmente com minhas afirmações), o diagramador do jornal vira para mim e diz: Você tá mais gata hoje, hein? Sem ironias doutor, mas o senhor devia ter colocado uma semana inteira nesse atestado.