5.3.12

Da minha avó

Casa d’avó me lembra barulho de xícaras sobre pires. Pão torrado com queijo derretido. Café preto e forte demais para os meus padrões açucarados. Bife mal passado.

Casa d’avó me lembra moedinhas para encher o cofre. Conselhos conservadores e nunca fora de moda. Um monte de fotos e decoração alheia ao mundo.

Casa d’avó tem uma energia diferente. O sol entra mais bonito pelas janelas e todos os cômodos irradiam aconchego, mesmo naqueles onde é proibido bagunçar.

Casa d’avó é para onde fujo quando minha própria casa se torna pesada. Quando preciso de uma mão estendida e um cafuné na alma, acompanhado de suco fresquinho de maracujá.

Casa d’avó é o lugar onde escuto o que não quero e onde caio em brigas bestas. É onde tenho que escolher entre “ser mulher e me impor” ou “ser neta e aceitar a hierarquia”.

Casa d’avó é onde mora aquela pernambucana magrinha e durona. Amarga e complexa. É onde mora a mulher que respeito e amo, apesar dos nossos gênios, tão parecidos e tão contraditórios.

Casa d’avó é o lugar onde o mundo, agora, quer ver tristeza e silêncio. Mas não importa o que aconteça, terei sempre um pedaço bem grande dessa avó. Dentro do meu próprio eu.

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