10.10.18

Do meu jardim, que molda e se amolda

Tenho pensado em flores, em podas, em florescer e reflorescer. Tenho me refugiado na ideia de que murchei, perdi minhas folhas e, no silêncio dos dias de saudade e coração apertado, uma parte de mim segue se regenerando para crescer com força e romper novos botões.

Tenho pensado em coisas que antes pareciam fazer sentido e hoje vejo que eram bobagens, uma fuga de foco e prioridade. Tenho pensado em como me deixei reduzir a características tão banais, tentando me encaixar em espaços que, no fundo, não cabiam na minha essência.

Tenho pensado em como às vezes me sinto inferior, desmerecedora e sem nada para oferecer. Tenho pensado em que tipo de mulher pareço ser e que tipo serei daqui a alguns anos. Tenho pensado no que estou fazendo da vida e no quanto me assusta cair numa existência banal, seguindo um padrão pré-definido de satisfação.

Tenho pensado, pensado e pensado. Tenho pensado em tantas coisas porque o tempo está passando, em breve terei 31 anos, em poucos meses se finda mais um ano, e eu continuo aqui, no mesmo lugar. Enquanto meu jardim, antes tão pequeno e cômodo, está começando a ficar sufocado pelas paredes do limite, querendo se espalhar feito selva, derramando seus galhos, folhas e flores numa força tão grande, que seja impossível parar.

6.9.18

Dos fins

“Onde não puderes amar, não te demores”


Essa frase me incomodava desde maio, quando a encontrei estampando um quadro numa loja de presentes. No fundo eu sabia o que ela significava, mas abafei os conselhos da minha intuição e continuei insistindo.

Meu coração podia quebrar, eu estava ciente dos riscos que se apaixonar traz consigo. Nem toda paixão é bem-sucedida, por mais que nos esforcemos. Algumas, se bem soubessem, nem se atreveriam a existir. Por isso, quando senti que estava me diminuindo para caber na vida de alguém, me despedi e parti, antes que meus sentimentos aumentassem e virassem um amontoado de expectativas quebradas.

Esquecer alguém importante não é simples. A saudade aperta. As memórias perturbam. A alma fica meio silenciosa. Mas estou orgulhosa da mulher que estou me tornando. Uma que sofreu tanto que não se contenta mais com um meio amor.

17.7.18

Ciclo vicioso dos desejos ressuscitados

“Estou com saudade de ter encontros de verdade. Daqueles em que você se arruma, revirando o guarda-roupa à procura da roupa perfeita, que escolhe com cuidado o perfume que vai usar e onde cada pequeno detalhe, como um brinco ou relógio, pode fazer diferença.”

Escrevi isso há oito anos, em um blog antigo, mas poderia ter sido hoje ou no mês passado. O sentimento é o mesmo. A saudade continua. Silenciosa, discreta, porém constante.

Eu quero outra vez sair de verdade. Eu quero a sensação de ser tão desejada que seja impossível segurar a pressa do corpo. Eu quero ser interessante para alguém. 

Eu quero esquecer as horas e dormir tarde porque a conversa estava boa. Eu quero me atrasar tomando um banho demorado, ficando com cheiro de framboesa e escolhendo a calcinha que vai ser tirada.

Eu quero ser lembrada no bom dia, no boa noite e no tédio do domingo. Eu quero fazer parte de uma rotina e entrar numa vida. Escutar as coisas boas e ajudar a carregar os problemas. 

Eu quero uma mão para segurar e apertar forte cada vez que sentir medo de alguém na rua. Eu quero ser notada nas minhas manias e detalhes. No meu jeito atrapalhado.

Estar sempre sozinha é algo que começou a me incomodar e não sei precisar em qual momento. Talvez quando eu te olhei com outros olhos, me lembrando que sim, era bom estar com alguém, e despertei o que estava esquecido no meu coração. Por baixo de traumas e medos.

Eu quero tudo isso de novo.

Eu quero me envolver, me deixar levar, sentir as borboletas amarelas de Amaranta Úrsula dançando no meu estômago. Eu quero me apaixonar, me entregar por inteira, sem culpas ou desculpas, mesmo sabendo que meu coração pode quebrar.

E se ele quebrar, aprendi que sou forte e posso sobreviver.